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sexta-feira, março 28

30 minutos.



Andei em direção à esquina que me separava de você. Do seu carinho. Do seu amor. Estacionei. E dali o observei durante 30 minutos. Vi a minha desgraça passar pela minha frente, mas só podia observar.
Nesses 30 minutos, sentada em uma cadeira parcialmente desconfortável, eu senti a sua falta. Senti o seu cheiro, mesmo na maioria das vezes se confundindo com a poluição automotiva que passava á minha frente. Mordi os lábios, a ânsia em atravessar a rua e correr o risco de ser atropelada, só para me jogar em seus braços, estava me consumindo. Mas você não me via. Por 10 minutos eu senti que estava no mundo invisível, sofrendo com o desespero das almas condenadas. Lembrei-me das pessoas que conheci durante a minha passagem na terra, do qual foram embora sem dizer o porquê.  E por 5 minutos, pensei que realmente estava morta.
Volto os meus olhos em você, vejo que escreves algo, é a minha carta de despedida? Eu estaria condenada? E por mais 5 minutos, eu me machuquei. Joguei-me no mar de pensamentos, onde as ondas malignas fui eu mesma que criei. E por mais 5 minutos, me droguei com a droga mais insensata, a melancolia.
Após isso, vejo você olhar através da rua. Meu corpo fica quente, meus olhos ficam úmidos, minhas pernas tremem. Mais você não me vê. Ou viu, mais não quis enxergar, foi como festa junina sem bolo de fubá. Árvores sem as folhas verdes. Ônibus sem os seus passageiros. Sid sem a Nancy.
Ah, insensatez... Meu coração é um descuidado. Fez chorar de dor o seu amor, um amor tão delicado. Vai, meu amor, ouve a razão. Use a sinceridade. Como diz o ditado, quem semeia vento, colhe tempestade. Vou pedir o perdão apaixonado, pois eu quero ser perdoada. Tom Jobim tinha razão.
E nos meus últimos 5 minutos, eu voltei à realidade da vida terrena. Deixei meus pensamentos melancólicos serem atropelados pela esperança que me consumiu inesperadamente. Eu vou encontrar um jeito de curar esta solidão. Parar de criar problemas que nunca existiram. Sim, eu vou encontrar um jeito de curar a dor. Eu disse que você é o meu amor, e que o nosso amor nunca irá acabar. Quanto tempo vai ter para recuperar a confiança em mim? Eu dou o tempo necessário.
Meu tempo acabou. Comprei o meu doce. E fui adoçar a minha vida.

segunda-feira, agosto 26

Meu anjo,

                       

"As lágrimas nunca caem para sempre, como também a chuva não eternamente. Nossa vida é uma enorme colcha de retalhos, uns feitos na carne (navalha afiada), outros na alma (punhal certeiro) e outros só superficialmente.
  Mas cada um deles numa intensidade dolosa. Tanto as dores como a alegria precisam agir dentro de nós, para nós mostrar que estamos vivos e por mais que isso pareça nunca ter fim, um dia terá. Somos, vivemos apressados... E queremos a todo custo mandar a dor embora, sem nos dar conta que essa dor é que nos mostra que ainda estamos vivos... E precisamos sentir isso.
  Lembre-se, meu anjo, dias cinzas tem a cor que desejamos." 

Meia noite.




  Meia noite. Nenhum som na rua. A lua perdeu a sua memória?
  Ela está rindo sozinha na luz das lâmpadas. As folhas secas se recolhem aos meus pés e o vento começa a se afligir. E, andando pela rua, eu encontro a lembrança, totalmente sozinha a luz da lua. Sorrio dos dias passados que me fez lembrar. A vida era tão bonita... E então eu me lembro do tempo que eu conheci o que era felicidade. E assim deixei a lembrança viver novamente.
  Luz do dia, eu devo esperar pelo nascer do sol. Eu devo pensar em uma nova vida. E eu não devo ceder quando o amanhecer vier. Essa noite será mais uma lembrança, e um novo dia começará.

  As lâmpadas da rua morreram, outra noite se acabou, outro dia está nascendo. Toque-me. É tão fácil de me abandonar. Sozinha como uma lembrança... E nos meus dias no sol, se você me tocar, entenderás o que é felicidade.

sexta-feira, julho 26

Vai passar.


"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.

Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.

Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.

Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.

Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca ..."  
(Caio F. Abreu)

Querido.

Meu tempo é curto e o dele é longo. Meu cabelo é claro e o dele é negro. Temo que não dure muito a nossa novela, mas eu sou tão feliz com ele. Meu dia voa e ele não acorda. Ele vai até a esquina enquanto eu quero ir para Veneza. Acho que nem sei direito o que ele fala, mas não canso de contemplá-lo.
Fico avarenta, conto meus minutos. Cada segundo que se vai, cuidando dele que anda em outro mundo. Enquanto ele esbanja suas horas ao vento. Sinto que ainda vou penar muito com esse garoto, mas seu sorriso e a música que nos acompanha já valeu a pena.

Ele é um mistério,


Algo em seus olhos me pega e me deixam hipnotizada. É uma incrível mistura de variados tons de castanho. Muitos dizem que o diferencial nos olhos é deles serem de outra cor. Discordo. O diferencial está na maneira de como eles são vistos... Não somente nas suas cores. E olhá-lo é algo que nunca cansa... um colírio.
Ele é um mistério, como já dito, no entanto me faz ser eu mesma. E quando ele me olha, é inevitável minha voz não tremer e o meu coração estremecer. Eu devo resistir a tudo isso que sinto?
Isso não é mais um momentinho bobo, muito menos a tormenta antes da calmaria. Isso é a profunda e ofegante respiração deste sentimento puro no qual estávamos trabalhando. E mesmo com todas as facilidades que tenho contigo, parece ser difícil segurá-lo como quero, e você também consegue ver isso.  Mais você insiste em nadar nos seus próprios pensamentos e mal sabe que, mesmo sabendo nadar, você pode se afogar. Nem os seus piores inimigos te causam tantos danos quanto os seus pensamentos.
Você não está escutando? Eu estou chamando por você, querido. Não fique esperando por um dia chuvoso. Fechar seu coração e esconder-se do sol não resolve, só o machuca.

Tudo o que você precisa está disfarçado nas conversas que têm, mesmo quando for consigo mesmo. No entanto eu sei que esperando algo que o traga de volta... Olhe para frente! Eu estou chamando por você. Eu realmente te quero.

quinta-feira, junho 27

Para você.



Se ouvires meu coração, veras que as letras pronunciadas formam teu nome. E se analisares meu sorriso, veras que ele só é pleno quando, em meus olhos, existe o reflexo do teu rosto. E se beijares meus lábios, lá sim, existirá algo macio feito para cobrir os teus. Para dizer em palavras silenciosas, o quanto te ama. O quanto sempre te amará. E as risadas, soadas ao longe, impregnadas em lembranças de momentos que compartilhamos de aventuras que vivemos. Risadas que se unem, proclamadas ao mesmo momento por - na verdade - um só ser. Eu e você. E se o presente torna-se turvo, se o futuro nos fizer prisioneiros do medo, erga sua mão, a pouse sobre meu ombro. Olhe em meus olhos, não diga nada. E eu saberei que ficará tudo bem. Enquanto viver em teus braços, enquanto me alimentar de tua coragem, enquanto for amado por teu coração, tudo ficará bem. Comigo... E com você. 

segunda-feira, novembro 12

Coração frio.



Você sempre suportou tudo com o seu coração frio e suas ações parecem sempre voltar para mim. Passei muito tempo procurando por alguém como você, não tente me entender agora, simplesmente faça o que eu digo. O amor é um sentimento puro, dê-me-o quando eu quiser. Eu estou em chamas apenas esperando-o suprir o meu desejo. Fale comigo... Não fuja. Se entregue a mim.
Você sempre soube como me fazer chorar... E eu nunca perguntei os motivos. Parece que tens o prazer de me machucar. Não tente, porque suas palavras não são suficientes. Apenas supre o meu desejo, deixe-me exultante. Faça isso com se estivesse orando e satisfaça esse sentimento oculto. Eu não quero mais sonhar, leve-me ao fogo, se entregue as chamas e, com você estarei junto. 

Obrigada.



No mar tempestuoso do pensamento, no meio do triste suspiro de lamento, foste o lampião de uma rua escura. Ajudaste a trazer no vento o gosto de doçura e deste aos alicerces dos sentimentos toda uma estrutura, para levantar um amor ferido. A andar de um jeito mais decidido, talvez até mesmo de um modo comedido nesta bela arte de viver. E em uma dança onde não há nada para perder, dois corações que sempre foram destinados a ficarem juntos, voltaram a bater como um só. Ao sol que ilumina este mundo, nesta existência em que tantos passam como um jogo de dominó, onde peças se levantam e caem neste tabuleiro humano profundo.

Obrigada por ajudar a passar por essas complicações, a ajudar dois corpos e emoções. Obrigada por ser essa pessoa maravilhosa e em sua decisão profissional talentosa, continuar uma história de amor gloriosa.

quinta-feira, outubro 25

Amor.

“Amor não tem garantia mas tem devolução. Pode começar do nada, pode acabar de repente, pode não ter fim. Mas tem sempre o meio. O amor é isso que você está vendo: Hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será.” - Caio Fernando Abreu

Os mistérios da mulher.




  Quem diz religião da Mulher diz também sacerdotisa e maga, ou seja, intermediária cósmica. O mistério da mulher não se limita ao seu sexo: ele impregna todo o seu ser, inclusive (e talvez principalmente) o seu psiquismo. A mulher é intuitiva, porque sensitiva e unida aos ritmos cósmicos que capta. Ela conhece os segredos da vida e da saúde, das plantas e das flores. 
  (...) Ela compreende as profundezas da alma humana: em seu inconsciente e por meio dele, relaciona-se directamente com as grandes correntes psíquicas que nos levam e trazem. Ela seduz e aterroriza ao mesmo tempo. Todo o homem traz em si um "retrato falado" da mulher absoluta e, se viesse a conhecê-la na realidade, não mais poderia dela se separar: seria fulminado. Aliás o homem busca-a durante toda a sua vida. São raríssimos aqueles que a encontram, e quase poderíamos dizer: felizmente! É esse sonho, esse ideal inacessível que ele projecta, por exemplo nas estrelas "(...)

 In Tantra - O culto da femininlidade de André Van Lysebeth

A vida pode ser mais leve,



(...) Mais lúdica. Se eu não brincasse, enlouqueceria. Não posso nem sei ser essa imagem que tanta gente congelou a respeito do que é ser adulto. Passo longe desse freezer. Quero o calor da vida. Quero o sonho e a melhor realidade que ele puder gerar. Quero alguma inocência que não seja maculada. Quero descobrir coisas que não suspeito existirem e, que para minha surpresa, têm significado para o meu coração. Adulta, quero caminhar de mãos dadas, vida afora, com a criança que me habita: curiosa, arteira, espontânea.

segunda-feira, maio 28

Apenas descanse seu coração cansado...


Algum dia, quando eu estiver terrivelmente chateada e o mundo frio, me sentirei bem só de ouvir a sua voz. Você é tão aconchegante e seu sorriso tão sincero, e com apenas um abraço meus medos e inseguranças vão embora. Você é adorável e nunca deve mudar.
Uma vez acordei com o som das notícias que passavam na televisão, era algo sobre desastres, terrorismo e chacinas. Isso me deixou confusa em saber até onde o mundo vai parar. Há tanta escuridão e maldade por aí, que se torna difícil a procura por um mundo melhor. No entanto eu ainda vejo um beleza, a beleza que me resta está em você, e todo o amor e atenção que você me dá, me fazem ficar bem.
Porque se o seu amor fosse tudo o que eu tivesse nessa vida, isso será suficiente até o fim dos tempos. Então deite em meus braços e descanse sua mente. Pois eu vou te amar até o fim dos tempos.

segunda-feira, janeiro 2

É apenas a realidade.



  Eu já não sou a mesma de antes, eu era feliz, sorria á toa, brincava, olhava o mundo com os olhos de uma criança inocente. Eu saía, cantava belas canções, sentia-me livre e tinha poucos amigos, mais eram verdadeiros. Acreditava em amor de novela, onde no fim todos viviam felizes para sempre, acreditava que iria viver um amor de cinema, tudo era mais lindo e colorido... Hoje eu já não sei dizer se sou feliz, talvez seja eu e não tenha percebido ainda, meu sorriso é forçado, fiquei marcada... Vejo o mundo diferente, sinto medo, me sinto insegura, já não me sinto livre, é como se eu vivesse preso naquilo que insisto em sentir, vivendo um sonho que mais parece um pesadelo. 

  Já não acredito na frase: “Felizes para sempre”, amor de cinema? Não passa de uma grande ilusão, tenho achado quase tudo feio e sem cor, talvez eu esteja chata demais, passei a viver assim depois de descobrir o que é “Amar”, um sentimento tão lindo que também é capaz de destruir uma pessoa por dentro quando não é valorizado e correspondido de forma sincera. Não brinque com o amor que alguém possa a vir sentir por você, o amor nos trás á vida, mais também ao mundo das ilusões.

segunda-feira, outubro 31

Pequenos chuviscos, grandes mudanças.



  Vou correndo, como se isso me fizesse escapar dos pingos da chuva que se iniciava. Menos tempo na chuva, pode ser ilusório, mas tenho a impressão de que ficarei menos molhada, de que chegarei menos ensopada. E a água que caí é tão pura, tão simples. Desisto, saio da parada de ônibus e vou andando, afinal é sempre bom lavar a alma, e acabo por seguir meu caminho nesta chuva tão pura.
   Observo a estrada em que o caminho para os sonhos realizáveis é longa e traiçoeira. Obstáculos sempre surgem para incomodar os que ainda têm um problema, até mesmo para aqueles que apenas precisam sorrir. Humanos, humanos... Tão estranhos. Vejo rostos diversos e procuro uma razão para tal comportamento, não entendo porque viver de status, a que ponto eles chegaram em que ter poder é mais importante do que está com a família, com aqueles que amam?
   Quem dera se a chuva tivesse o mesmo poder para todos, quem sabe hoje, nesta tarde, eu poderia estar correndo sobre a chuva da felicidade com outras pessoas... Sonhos são sempre bem vindos, no meu caso, eles são já vem no alto, se expressam tão claramente que acabo por não perceber que falei alto.
   E continuo seguindo meu caminho interminável, sem mais me preocupar com começos, crises ou status, apenas seguindo em frente, como um vento forte que leva embora as folhas do outono.

domingo, outubro 9

Amante da solidão


  Ela era magra, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos. Tinha um busto muito pequeno, enquanto as outras todas ainda eram cheias de tudo. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança sem amigos por perto possuía: solidão. Pouco aproveitava. E as outras menos ainda. Ela escrevia com letra bordadíssima palavras como "amor" e "saudade". Mas que talento tinha para a crueldade e tristeza. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia odiar as outras, elas eram imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Mas ela nem notava as humilhações a que as outras a submetiam: continuava escrever incontáveis textos de solidão, esperança e da tristeza que ela sentia. Até que veio para ela o magno dia que viu que não agüentava mais. Ela não morava numa casa perto do centro, mas nunca ninguém a visitava. Não convidava ninguém porque não confiava o bastante.
   Olhando bem para os seus olhos no espelho, começou a chorar. Foi ao mercado. Boquiaberta, saiu devagar, mas em breve a esperança de novo a tomava toda e ela recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas. Dessa vez não caiu. Mas não ficou simplesmente nisso. No dia seguinte lá estava ela na porta da sala do seu ridículo colégio com um sorriso falso, e o coração batendo. Para ver o olhar de ignorância das outras a qual a viam. Carência e tristeza. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Ela já começara a adivinhar que ela mesma se escolhera para sofrer, às vezes adivinha. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceitava: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. 
  Até que um dia, quando eu estava à entra na sua página pessoal da internet, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e o olhar profundo da filha. Pediu explicações a ela. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu que sua filha não queria falar com ela. E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha, da tristeza escondida que a possuía. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para si mesma: não sei se agüento mais. E para as outras apenas um pensamento impulsionado de ódio: "E vocês ficam com esse ódio o tempo que quiserem." Acho que quando ela não disse nada as outras diziam umas as outras TUDO. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. 
  Sei que segurava o passo acelerado para não cair, comprimindo-o contra o chão. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a escrever. Fingia que não queria, só para depois ter o susto de querer. Horas depois pensei, li algumas linhas maravilhosas de alguns textos, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer sanduíche de presunto e queijo, fingi que não sabia onde guardara meus sentimentos, achava-o, pensava por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar. Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada, a rainha da solidão. Às vezes sentava-me na frente do computador, sem tocá-lo. Não era mais uma menina com um a solidão: era uma mulher com o seu amante. 

 Créditos á comunidade do orkut Dicionário de sentimentos.

terça-feira, setembro 20

Lembranças.



Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue. Lembrança é quando, mesmo sem autorização, o seu pensamento reapresenta um capítulo. Faz que cada hora da tua vida seja bela. O mínimo gesto é uma lembrança futura. A lembrança é poesia, e a poesia é apenas lembrança. Só enquanto eu respirar, vou me lembrar de você.

quinta-feira, setembro 8

E esses dias intermináveis,


   
 Que parecem não passar e afligem o meu triste e magoado coração, que destróem as ultimas partículas de amor, ah! O amor... amar dói, dói tanto que você fica humilde e acaba olhando de verdade para o mundo, mas ao mesmo tempo fica gigante e sente a dor da humanidade inteira. E esses dias, felizes ou não, acabo por não saber definir qual é o melhor dia, ou o mais importante, pois sempre os dias em que penso serem os mais importantes nunca atingem a proporção que imaginei, mais não são esses dias que farão a diferença, são apenas os normais, é, apenas esses.
  Aqueles que começam normalmente, sem  objetivos ou pontos de referência, acabam se tornando os mais importantes, apenas por serem normais e inesperados. E hoje, com o dia nublado e sorridente, percebi que não há mais tempo suficiente, e agora? Eu quero viver pra sempre!

quinta-feira, agosto 11

In Extremis



Nunca morrer assim! Nunca morrer num dia
Assim! De um sol assim!
Tu, desgrenhada e fria,
Fria! Postos nos meus os teus olhos molhados,
E apertando nos teus os meus dedos gelados...

E um dia assim! de um sol assim! E assim a esfera
Toda azul, no esplendor do fim da primavera!
Asas, tontas de luz, cortando o firmamento!
Ninhos cantando! Em flor a terra toda! O vento
Despencando os rosais, sacudindo o arvoredo...

E, aqui dentro, o silêncio... E este espanto! e este medo!
Nós dois... E, entre nós dois, implacável e forte,
E arredar-me de ti, cada vez mais, a morte...

Eu, com o frio a crescer no coração, — tão cheio
De ti, até no horror do derradeiro anseio!
Tu, vendo retorcer-se amarguradamente,
A boca que beijava a tua boca ardente,
A boca que foi tua!

E eu morrendo! E eu morrendo
Vendo-te, e vendo o sol, e vendo o céu, e vendo
Tão bela palpitar nos teus olhos, querida,
A delícia da vida! A delícia da vida
     
             Olavo Bilac