sábado, junho 6

Seus olhos


Ao final do dia, lembro-me da forma como olhas o mundo, a mim e todos que estão ao seu redor. E penso sobre a existência de um sentimento do qual não consigo esconder, e basta olhar no fundo de seus olhos para fantasiar.  Meus olhos famintos não disfarçam o desejo em te querer bem perto de mim.
Somos muito jovens e talvez cabeças duras? Porque é difícil aguentar o peso desses seus olhos castanhos, do qual têm o desejo de um amante e o amor de um marido. Sinto-me entorpecida abaixo de sua língua, sob a maldição de uma paixão mal compreendida. Ás vezes o tempo não cura, não ao todo, apenas permanece parado enquanto nós nos apaixonamos. E quando estamos estacionados no tempo vejo sua sintonia mudar, do qual até seus olhos ficam diferentes, deixando-os impenetráveis. Esse é o início da minha perdição.
Eram os mais variados segredos compartilhados durante longas noites... Noites essas que me faziam ser sua, mesmo sendo tão devagar. Perfeitos estranhos, do qual ninguém quer saber. Só quero pegar os seus olhos nesta escuridão, e aliviar a memória que lembra como eu costumava ser. E com a doçura de sua pele, foi onde encontrei esperança de tudo o que poderia ter sido, e que, inevitavelmente, me encheu de esperança em desejar o impossível.

Querido, és a montanha mais alta do qual escalo. 

quinta-feira, maio 14

Não se esqueça, querido.





A cada dia que passa, eu estaria mentindo para mim mesma se não dissesse que sinto a sua falta todas as noites. E, se você pudesse saber o que penso agora, eu diria que, se eu estivesse contigo nesta noite, cantaria pra você dormir. E para cada dia que passasse, eu nunca deixaria que tirassem a luz que existe em seus olhos.
Às vezes os dias são longas batalhas, do qual você pode perder, mas também pode ganhar. Só não se esqueça que, apesar da feiura deste mundo, você nunca perderá o seu brilho. Seja forte, querido. Minha mão estará aqui para que possa segurá-la. Com o tempo entenderás que sempre existirão dias ruins, do qual hoje podemos dizer adeus, mais amanhã podemos ter um novo recomeço. A vida é assim, uma enorme colcha de retalhos, do qual uns são feitos na carne, outros na alma. E essa dor é os que nos faz vivo. Não se esqueça querido, dias cinzas têm a cor que desejamos. E eu só quero que se lembre da luz que te ilumina todos os dias, porque é a mesma luz do qual seus olhos refletem, e é esse detalhe ocular do qual não paro de te olhar. É a partir desse momento que começo a sentir a sua paz, que pode ser diante a minha presença, mas também pode ser pelo simples fato de você possuir a sua luz.
E por fim, você sabe que, se eu pudesse estar contigo hoje, nunca iria deixar que tirassem a luz que existe em seus olhos, e que, apesar dos apesares, eu estou pensando em você, todos os dias, todas as noites.

sábado, abril 11

Árvores


 “Nada é eterno. As folhas caem, os frutos ficam podres e, em torno de seus enormes e desgastados troncos antigos, eu vejo as lembranças desta interminável solidão. Solidão esta que as tornam quase inexistentes... Secas de qualquer sentimento. É deprimente. Falta de pensamento, por assim dizer. Falta de sentir onde estão, de saberem qual o motivo de estarem ali, parada contra o tempo que não podem distinguir.

Outras folhas renascerão no lugar, provavelmente. E as antigas ocupantes não estão ligando para isso. Por aquele mesmo motivo, falta de pensamento. Não somos eternos. Nunca seremos. Nossa alma, talvez. Mas assim como ela, tudo ao nosso redor que não podemos tocar ou enxergar consiste em um grande mistério. Um segredo daqueles que você tem vontade de contar para alguém, mas tem receio de que esteja contando uma mentira, e acabar sofrendo com as consequências depois. Não podemos afirmar nada. Somos meros fios no tecido da vida. Simplesmente nascemos, vivemos e morremos. E, quem sabe, renascemos. Esse é o ciclo. Tem de ser assim.”

Perdição



"Não necessariamente a ordem do começo de minha perdição. De um sentindo vulgar de teus olhos e minha carne em tua boca. No momento em que tua retina se dilata com facilidade... E eu vejo o estrago. Meu cabelo que se bagunça pela minha pele e sobre ela sua boca serrada se abre lentamente e geme. E o ar que você inala vem de mim. Tua respiração forte não disfarça a entrega. A mão que percorre o meu corpo, da boca até o que é mais sensível, é a sua. O que sinto só é a reversão do frio no peito que diz teu nome em palavras que você mesmo escreve. Escrever é a nossa fuga, entende? A poesia diz de nós o que é mais sincero. E arriscamos no vulgar das palavras, o sentimento que se diz mais insano. Pudor que não é medido. Dos meus cabelos que tocam os seios que se entregam á sua boca. Eu sussurro o que se diz arte. Sussurro o que se sente prazer. Perdemo-nos pronomes, nos verbos mal conjugados, em versos que se intercalam como alvo você. Eu lanço a palavra, o sentimento e o meu corpo, te atingo num só ato. Ato este que mistura o nós em um só ser. No encaixe em que tardes e madrugadas nos ouvem, nos sentem, nos invejam."

sábado, janeiro 3

Caos


Minhas palavras podem parecer clichê, no entanto, o mais improvável amor que sinto é por você. Moreno, seus pensamentos são tão caóticos, acabam te deixando sério demais... Falas bem pouco querido, mas consegues, e de forma bem explícita, a minha atenção. E por fim, no seu caos acabo me afundando.
Ás vezes sua voz ecoa no meu silêncio, sua euforia disfarça a minha solidão, e acabo descansando os meus olhos em seu peito largo, que, mesmo com a excitação, adormece junto a mim. E a partir daí começo a sentir a sua paz, que antes não era possível senti-la pelo coração disparado. E me protegendo de qualquer forma, fechando meus olhos quando não quero enxergar. Ás vezes fico cega em você. Sempre com as mesmas palavras, as mesmas metáforas. Minhas mente é tão precisa em pensar demais que até me causa enjoo.
E com a boca serrada, acaba por dizer o que quer. Palavras essas que soam como poesias aos nossos ouvidos. Sem nenhum pudor, apenas descrevendo o insano e romântico, o doce e o estrago, destino e acaso, em simples palavras totalmente ligadas: eu amo você.