sábado, janeiro 3

Caos


Minhas palavras podem parecer clichê, no entanto, o mais improvável amor que sinto é por você. Moreno, seus pensamentos são tão caóticos, acabam te deixando sério demais... Falas bem pouco querido, mas consegues, e de forma bem explícita, a minha atenção. E por fim, no seu caos acabo me afundando.
Ás vezes sua voz ecoa no meu silêncio, sua euforia disfarça a minha solidão, e acabo descansando os meus olhos em seu peito largo, que, mesmo com a excitação, adormece junto a mim. E a partir daí começo a sentir a sua paz, que antes não era possível senti-la pelo coração disparado. E me protegendo de qualquer forma, fechando meus olhos quando não quero enxergar. Ás vezes fico cega em você. Sempre com as mesmas palavras, as mesmas metáforas. Minhas mente é tão precisa em pensar demais que até me causa enjoo.
E com a boca serrada, acaba por dizer o que quer. Palavras essas que soam como poesias aos nossos ouvidos. Sem nenhum pudor, apenas descrevendo o insano e romântico, o doce e o estrago, destino e acaso, em simples palavras totalmente ligadas: eu amo você.


sexta-feira, março 28

30 minutos.



Andei em direção à esquina que me separava de você. Do seu carinho. Do seu amor. Estacionei. E dali o observei durante 30 minutos. Vi a minha desgraça passar pela minha frente, mas só podia observar.
Nesses 30 minutos, sentada em uma cadeira parcialmente desconfortável, eu senti a sua falta. Senti o seu cheiro, mesmo na maioria das vezes se confundindo com a poluição automotiva que passava á minha frente. Mordi os lábios, a ânsia em atravessar a rua e correr o risco de ser atropelada, só para me jogar em seus braços, estava me consumindo. Mas você não me via. Por 10 minutos eu senti que estava no mundo invisível, sofrendo com o desespero das almas condenadas. Lembrei-me das pessoas que conheci durante a minha passagem na terra, do qual foram embora sem dizer o porquê.  E por 5 minutos, pensei que realmente estava morta.
Volto os meus olhos em você, vejo que escreves algo, é a minha carta de despedida? Eu estaria condenada? E por mais 5 minutos, eu me machuquei. Joguei-me no mar de pensamentos, onde as ondas malignas fui eu mesma que criei. E por mais 5 minutos, me droguei com a droga mais insensata, a melancolia.
Após isso, vejo você olhar através da rua. Meu corpo fica quente, meus olhos ficam úmidos, minhas pernas tremem. Mais você não me vê. Ou viu, mais não quis enxergar, foi como festa junina sem bolo de fubá. Árvores sem as folhas verdes. Ônibus sem os seus passageiros. Sid sem a Nancy.
Ah, insensatez... Meu coração é um descuidado. Fez chorar de dor o seu amor, um amor tão delicado. Vai, meu amor, ouve a razão. Use a sinceridade. Como diz o ditado, quem semeia vento, colhe tempestade. Vou pedir o perdão apaixonado, pois eu quero ser perdoada. Tom Jobim tinha razão.
E nos meus últimos 5 minutos, eu voltei à realidade da vida terrena. Deixei meus pensamentos melancólicos serem atropelados pela esperança que me consumiu inesperadamente. Eu vou encontrar um jeito de curar esta solidão. Parar de criar problemas que nunca existiram. Sim, eu vou encontrar um jeito de curar a dor. Eu disse que você é o meu amor, e que o nosso amor nunca irá acabar. Quanto tempo vai ter para recuperar a confiança em mim? Eu dou o tempo necessário.
Meu tempo acabou. Comprei o meu doce. E fui adoçar a minha vida.

segunda-feira, agosto 26

Meu anjo,

                       

"As lágrimas nunca caem para sempre, como também a chuva não eternamente. Nossa vida é uma enorme colcha de retalhos, uns feitos na carne (navalha afiada), outros na alma (punhal certeiro) e outros só superficialmente.
  Mas cada um deles numa intensidade dolosa. Tanto as dores como a alegria precisam agir dentro de nós, para nós mostrar que estamos vivos e por mais que isso pareça nunca ter fim, um dia terá. Somos, vivemos apressados... E queremos a todo custo mandar a dor embora, sem nos dar conta que essa dor é que nos mostra que ainda estamos vivos... E precisamos sentir isso.
  Lembre-se, meu anjo, dias cinzas tem a cor que desejamos." 

Meia noite.




  Meia noite. Nenhum som na rua. A lua perdeu a sua memória?
  Ela está rindo sozinha na luz das lâmpadas. As folhas secas se recolhem aos meus pés e o vento começa a se afligir. E, andando pela rua, eu encontro a lembrança, totalmente sozinha a luz da lua. Sorrio dos dias passados que me fez lembrar. A vida era tão bonita... E então eu me lembro do tempo que eu conheci o que era felicidade. E assim deixei a lembrança viver novamente.
  Luz do dia, eu devo esperar pelo nascer do sol. Eu devo pensar em uma nova vida. E eu não devo ceder quando o amanhecer vier. Essa noite será mais uma lembrança, e um novo dia começará.

  As lâmpadas da rua morreram, outra noite se acabou, outro dia está nascendo. Toque-me. É tão fácil de me abandonar. Sozinha como uma lembrança... E nos meus dias no sol, se você me tocar, entenderás o que é felicidade.

domingo, agosto 25

Romeu

"Esqueci minha boca no teu corpo
Pensei que isso te fari meu
Usei de artifícios, gastei meus truques
Depois, quem escapou fui eu

Não pense que eu não desejei
Não diga que eu não quis
É só que eu me assustei
Ao me ver tão feliz

Colei os meus olhos no teu mundo
Guardei cada passo teu
Mas eu, Julieta, presa nesse pacto
Você, o meu Romeu
Entenda esse lado bom
Nem tudo é aflição
Ficamos com o sonho
Ao invés da punição"

Agridoce - Romeu